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OS AVÓS NA DÉCADA DE 90

por Jan Hunt, psicóloga diretora do "The Natural Child Project"

Cerca de 150 anos atrás, as pessoas começaram a reconhecer que a cor da pele não torna ninguém inferior aos outros e criaram leis que protegem as pessoas de cor de tratamento injusto e abusivo. Foi uma luta encarniçada que prossegue até nossos dias, mas hoje a maioria de nós admite que pessoas de todas as cores de pele fazem jus aos mesmos direitos e liberdades em nossa sociedade.

Cerca de 100 anos atrás, as pessoas começaram a reconhecer que o sexo de uma pessoa não a torna inferior e criaram leis que protegem as mulheres de tratamento injusto e abusivo. Essa também foi uma luta implacável  que continua até nossos dias, mas hoje a maioria de nós admite que todas as pessoas, homens e mulheres, fazem jus aos mesmos direitos e liberdades na sociedade.

Cerca de 25 anos atrás, as pessoas começaram a reconhecer que o envelhecimento do corpo não torna ninguém inferior e que os idosos fazem jus aos mesmos direitos e liberdades que as outras pessoas. Novamente, essa é uma luta encarniçada que prossegue até nossos dias e que precisa continuar por muito tempo ainda.

Nos últimos anos, finalmente começamos a estender esses direitos e liberdades às crianças. O quê significa para os avós, que foram criados em tempos tão diferentes, nossa luta pelos direitos das crianças?

Um dos resultados dessa luta é que as crianças não são mais vistas como uma propriedade da família, nem manipuladas com ameaças e castigos para suprir as necessidades dos pais e avós. Estamos começando a ver as crianças como pessoas de verdade, com sentimentos próprios e que devem ser tratadas com tanta dignidade e respeito quanto as outras pessoas.

Cinqüenta anos atrás, esperava-se que um neto demonstrasse consideração e respeito pelo avô, não importando o modo como esse avô o tratasse e nem os sentimentos da criança. Consideração e respeito ainda são muito valorizados hoje em dia. A diferença é que hoje o respeito é visto como uma via de mão dupla e os sentimentos da criança precisam ser levados em conta assim como os sentimentos dos idosos.

Temos uma notícia boa e uma notícia ruim para os avós. A ruim é que os avós não podem mais esperar consideração e respeito apenas em função de sua posição na família, se não se esforçarem um pouco para respeitar a criança, conquistar sua estima e enxergar o mundo sob o ponto de vista dela. Mas a boa notícia é excelente! Agora os avós têm condições de conquistar um respeito autêntico, fundado no amor que a criança tem por eles, em lugar de uma demonstração superficial de "boas maneiras" fundada no medo de ser castigada.

A liberdade sempre foi contagiosa. Mais liberdade para os netos implica em mais liberdade para os avós. Eles não precisam mais assumir o papel ingrato do "temido senhor" que aguarda passivamente uma demonstração de respeito. O vovô e a vovó de hoje têm liberdade para viver um papel mais ativo de avós íntimos e amorosos.

Os avós de hoje são instigados a ouvir atentamente ("Eu entendo que você está triste") , a julgar com equilíbrio ("Aos 4 anos de idade, você tem o direito de se comportar como uma criança de 4 anos"), a mostrar seus sentimentos honestamente, mas com delicadeza ("Sinto muito, mas estou muito cansado para brincar com você agora"), a compartilhar as próprias experiências ("Isso me faz lembrar algo que me aconteceu quando eu tinha 4 anos de idade") e a acreditar nas boas intenções da criança em quaisquer circunstâncias ("Eu sei que você atirou o travesseiro porquê queria brincar comigo. Não poderíamos fazer alguma outra coisa juntos?").

Uma vez que as crianças hoje são vistas como gente de verdade com sentimentos próprios, espera-se mais de seus pais e avós, o que pode parecer injusto; afinal, eles tiveram que demonstrar respeito a seus próprios avós, independentemente de como fossem tratados. As crianças hoje têm mais liberdade do que seus avós tiveram quando crianças, mas os avós também ganharam uma boa compensação. Hoje eles são livres para se relacionar autenticamente como pessoas, em lugar de representar papéis sem sentido e interagir com uma criança amedrontada. Tanto os avós quanto os netos conquistaram uma feliz liberdade:  amar e conhecer uma pessoa autêntica e em troca serem verdadeiramente amados e conhecidos.

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